Stop the "cuidar da vida dos outros" madness

by - domingo, setembro 21, 2014

Quase não uso maquiagem, não que eu não queira ou não goste, veja bem: se tivesse tempo, dinheiro e paciência, sairia de casa parecendo uma concorrente de RuPau'ls Drag Race, todo santo dia, podem ter certeza. Eu acho que cada um tem que fazer aquilo que sirva à sua auto-estima, que te faça sentir melhor consigo mesmo, como escolha. E acho que é exatamente o ponto que me interessa discutir dentro do lance #stopthebeautymadness. 


Não me lembro de usar maquiagem para esconder alguma coisa por muito tempo, no sentido de esconder do mundo ou disfarçar alguma característica tipicamente minha, como minhas olheiras constantes (mesmo que eu durma 14 horas), a boca e os olhos grandes demais, as sobrancelhas cheias, as marcas de sol, uma mancha no buço que eu odeio e que quanto mais make passo nela, mais evidente fica. Me lembro que no colegial, eu e algumas amigas, influenciadas por uma menina mais velha (ou só mais independente, não me lembro) e que nunca saía de casa sem chapinha, inventamos um lance que chamamos de "manhãs de beleza". Este encontro era até divertido, porque eu nunca tinha feito essas coisas antes, e era basicamente uma aula de como fazer para o mundo nos aceitar, só que não. Um dia vi uma foto dessa época, e até assustei com a minha cara branca, um batom bizarro, uma chapinha no meu cabelo cheio, uma combinação que gritava: "sou uma menina frágil buscando aceitação", socorro Jesus. Tudo bem, eu estava experimentando, até me divertindo, mas a partir do momento que aquilo deixasse de ser uma escolha minha e se tornasse uma escravidão, tinha alguma coisa muito errada. Felizmente, isso não aconteceu, continuei vivendo toda relaxada com o meu cabelão e minhas olheiras, feliz da vida.

O que não quer dizer que nunca faltou gente me dizendo o que eu deveria fazer com as minhas características irregulares, vamos dizer assim. Não posso pisar na mesma calçada de qualquer cabeleireiro que só faltam me amarrar pra fazer escova progressiva, tem sempre alguém dizendo que eu como demais e devia me exercitar mais. Até sobre a minha mania de usar pouca calça e muita saia já escutei um monte. Gente, fui criada pela minha mãe, que mal penteia o cabelo, teve três filhas mulheres e não furou a orelha de nenhuma quando pequenas, nunca pintou o cabelo, e mesmo assim, é uma das mulheres mais lindas que eu conheço - eu amo a minha mãe beijo tchau ♥ 

Claro que nós estamos o tempo todo nos pautando pela imagem que os outros fazem de nós. Não é simples quebrar este estado de coisas, estamos falando de uma cultura global com um padrão de beleza inventado e absolutamente fora do real, por isso reconheço a veracidade do desafio, mas tem que rolar uma criticidade, bonitas. Citando um post do Lugar de Mulher: "No caso do desafio da (falta de) maquiagem, pediram para as mulheres postarem suas fotos ao natural no intuito de “parar a loucura pela beleza”. Será que a loucura por beleza é algo que está apenas dentro da mulher e, portanto, é dela a prerrogativa de parar de usar a maquiagem? "

Penso que é uma coisa meio parecida com a história do "separe seu lixo", de uma responsabilidade igênua. Gente, eu não consigo não lavar meus potinho de iogurte e separar meu próprio lixo, mas não dá para pensar que "fazer minha parte" seja só isso. Tirar uma foto sem make não vai "parar a loucura da beleza", infelizmente, por mais dificil, lindo e empoderante que seja para muitas meninas, mas não pode ser só isso.

Vou citar só mais um post bacana sobre o assunto, do Milarga (cabei de conhecer, sempre te amei):
"Então parar com a loucura da beleza significa muito mais que tirar a maquiagem. Significa tirar a chibata de cima do corpo alheio. Do cabelo até o pé. Significa lembrar que a forma física de uma pessoa pertence exclusivamente a ela, independentemente da sua proximidade com ela."

Talvez eu seja privilegiada demais por poder pensar desse jeito, já que no meu convívio próximo, sou quase a pessoa que mais usa maquiagem, só porque taco uns batão vermeio com alguma constância, todo mundo é muito de boa e quase ninguém sabe o que é escova e só usa o secador para não dormir de cabelo molhado. Já citei o quanto a minha mãe cagou kilos (tomara que ela não leia isso, senão lava minha boca com sabão) para todo tipo de norma de aceitação estética durante a minha formação, então sim, talvez eu viva num mundo lindo e bolha onde as pessoas te amam pelo que você é. Mas eu ainda acho que todo mundo devia fazer qualquer coisa só porque gosta e quer muito, e não porque é um mecanismo de aceitação, mesmo que seja muito dificil diferenciar uma coisa da outra.


Postar foto sem make é fácil, quero ver as perna peluda no instagram, hehe.

[esta é uma postagem especial / blogagem coletiva pelo ROTAROOTS! ]

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5 Comenta aqui >>

  1. Oummm Vanessa, brigada! Escreve o seu e posta aqui o link depois pra gente trocar mais figurinhas sobre o assunto! Ru Paul é vida, é aceitação, é auto estima, é alegria de viver, hahaha! Também fiquei feliz de conhecer outra quirida que curte a série, esses dias vi que finalmente consegui viciar a minha irmã e fiquei feliz da vida! Amei seu canal no youtube e o cabelão azul!

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  2. Ah como é bom ler isso! Sabe, confesso que existem dias que me maquio mais que o normal do dia a dia, tem dias que prefiro escovar o cabelo a ter que assumir as ondas, mas isso é coisa minha. Tem dias que pra me sentir bem comigo mesma, preciso dessas coisas. Mas chega de ditadura imposta pela mídia ou por qualquer outra pessoa que a gente considere padrão de beleza! Pra mim, padrão de beleza é estar de alma leve, não há nada mais bonito! ^^

    Beijão Anna, adorei a postagem! <3

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  3. Aline, adorei sua definição > nada mais bonito que alma leve.

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