[quase resenha] Dois Livros que li depois que vi o filme

by - segunda-feira, outubro 13, 2014

Me lembro quando assisti O Ensaio sobre a Cegueira, eu havia lido o livro antes, e pensava que se fosse ler depois, seria um outro livro, completamente diferente. Sempre serão duas experiências incomparáveis, mas quando assistimos primeiro à adaptação cinematográfica, sabemos que certas coisas vão acontecer, o que não necessariamente tira a graça da leitura, pois a maneira como as coisas acontecem é fruída de maneira bem diferente. Este é o ponto sobre adaptações - são adaptações, tradução de uma linguagem para outra, e muitas vezes as coisas precisam mudar mesmo. Certos filmes conseguem captar o espírito do livro, mesmo que adicionem / transformem / subtraiam situações e personagens, mesmo que mudem o final. Por sinal, me lembro de ter assistido muito pouca coisa de "roteiro original" nos últimos tempos, talvez seja uma tendência da indústria cinematográfica, embora eu tenha certeza que não se trata de uma coisa nova, desde que aprendemos a fazer filmes, estamos adaptando histórias já conhecidas.


.Os dois últimos livros que li foram depois adaptados para o cinema, e gostei muito de suas versões cinematográficas: O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick  e As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky . Curiosamente, os dois livros acabam tendo vários pontos em comum: ambos são escritos em primeira pessoa, por seus personagens principais, que passaram por alguma trauma e têm suas sanidades mentais questionadas. Isso fica claro no começo dos dois livros (e também nos respectivos filmes), então não chega a ser um spoiler, mas você não sabe exatamente como isto aconteceu, e os fatos vão se elucidando até o fim da narrativa, nos dois casos. 


Pat é um sujeito de 30 e poucos anos que acabou de passar por uma instituição de saúde mental, ou como ele mesmo chama, o lugar ruim, após o fim conturbado de seu casamento. A narrativa é bem acelerada e feita toda do ponto de vista de Pat, que se tornou um viciado em exercícios físicos, e olha, a coisa é frenética, quase te dá vontade de sair correndo pelo quarteirão - ops, passou. Diferente do filme, toda a história da Tiffany (Jenifer Lawrence, no filme) fica um pouco em segundo plano, porque estamos lendo a perspectiva dele da história. Em oposição, a relação entre Pat e seu terapeuta é mais explorada, assim como a maneira como se estabelece o diálogo entre Pat e sua mãe.

e mais crazy no filme também

Achei tudo um pouco triste e ao mesmo tempo encorajante, já que Pat tem consciência sobre seus problemas - até certo ponto - e sabe que as pessoas vão se relacionar com ele desta maneira, embora foque toda sua esperança na questão de reconquistar a esposa. É engraçado pois me identifiquei bastante com a maneira obsessiva que o autor repete alguns pensamentos e ideias de Pat, como por exemplo a frase "estou treinando ser gentil ao invés de ter razão", que acabou se tornando meu mantra nos momentos em que quero provar pra alguém que estou certa a qualquer custo.


Esse é o meu novo livro favorito da vida, como o personagem principal da obra diz: "o último livro que li é sempre meu favorito". 

A coisa mais gostasa dessa leitura é a sensação de nostalgia que permeia a história, mesmo que seja um pouco triste e melancólica às vezes. Charlie, o personagem principal, tem quinze anos, enquanto eu tenho quase trinta, mas muitas questões que ele enfrenta, algumas bem específicas dessa nossa fase escolar - pela qual passamos não faz tanto tempo, se você tem uma idade parecida com a minha - todos aqueles sentimentos adolescentes que envolvem tentar pertencer, ser aceito, estão sempre por aí, rondando. 

Claro que tudo é muito mais forte quando temos 15 anos, mas a relação "calouro / veterano", a sensação de fechar e recomeçar ciclos, sempre vai nos perseguir em qualquer momento de mudança - pode ser um novo emprego, ir morar em outra cidade, abandonar um relacionamento. E quando se é muito jovem, você acha que aquelas coisas - beijar pela primeira vez, ficar louco pela primeira vez - vão mudar sua vida para sempre. O livro oferece / aprofunda bastante esta sensação da situação nova pela primeira vez, como estar "sentado na picape, indo para minha primeira festa de verdade"

Assim como em O Lado Bom da Vida, estamos sempre acompanhando que leituras de Charlie, recomendadas por seu professor de inglês, com quem eu me identifiquei - gostaria de ter sido algo assim para meus alunos. Cada obra se relaciona um pouco com o que Charlie está vivendo naquele momento, e entre várias obras, temos clássicos como O Grande Gatsby, do Scott Fitzgerald, On the Road - Jack Kerouac,  O Estrangeiro - Albert Camus e O Apanhador no Campo de Centeio - J.D. Salinger, também lido pelo Pat Peoples no Lado bom da Vida. Este blog aqui fez um post lindo citando várias das referências =)


Um aparte sobre a trilha sonora do filme - eu avisei que era uma quase resenha e que eu bagunço as coisas - a trilha - ouve aqui é fantástica, não apenas na escolha das músicas, muitas delas citadas no livro, nas fitinhas k-7 que Charlie grava, como Asleep, do The Smiths, a favorita dele. Enquanto eu lia o livro, ouvi bastante a trilha no carro e no mp3 player, e me toquei que a sequência das músicas é sensacional. Começa muito melancólico, depois vem algumas festinhas com amigos estranhos, depois mais melancolia, até terminar com uma carta de Charlie, seguida de Heroes, do David Bowie, "a música do túnel".


E vocês, já leram / assistiram alguma dessas duas histórias ? 

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5 Comenta aqui >>

  1. sou louca pra ler os dois pois adoro os filmes teu post me animou bastante

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  2. Eu também assisti primeiro os filmes e depois li os livros, e não sei se aconteceu com você também, mas acabei gostando mais dos filmes (geralmente me acontece o contrário) - não sei se por ter invertido a ordem que costumo seguir (livro primeiro/filme depois), mas dessa vez, o que fez meu coração bater mais forte foram as cenas dos dois filmes - principalmente em as vantagens de ser invisível, na cena do túnel com David Bowie tocando, demais :)



    Beijos!

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  3. Ai, a cena do túnel .... Mas é coisa de gosto mesmo, às vezes a gente acha um mais legal do que o outro. No caso, eu gostei das duas formas mesmo!

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  4. Poxa, eu ia adorar ler a sua resenha sobre! Tomara que você leia e goste ;)

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