[Vamos conversar sobre Negócio Criativo ?] #1 Onde tudo começou.

by - sexta-feira, setembro 25, 2015

Tenho conversado com cada vez mais gente que está abrindo um negócio, seja ele da área criativa (moda, design, fotografia, produção cultural) ou de qualquer outra área. Muitos dizem que é a crise - todo mundo percebendo que os empregos estão na corda bamba. E mesmo em tempos tão incertos (mas esse pessimismo não cola comigo, viu ?) tem muita gente a fim de arriscar e arregaçar as mangas para colocar em prática um sonho ou ideia. Se você está vivendo um momento parecido, pega na minha mão, abiga, esta série de posts é pra vc ♥

Venho enrolando para fazer este post, que existe no meu rascunho há anos (sério) sobre ser empreendedora. Nesta semana, resolvi parar de fugir, porque o tema veio invadindo todos os meus pensamentos ... Na terça, dei uma palestra em São José do Rio Preto sobre Gestão de Negócio Criativo, ontem estive em um evento do Sebrae para Mulheres Empreendedoras, e hoje tem mais um evento sobre Moda e Empreendedorismo. Então achei que estava mais do que na hora de trazer isto pro blog e tentar compartilhar com mais gente. Também teve um comentário em um post que foi o estímulo que faltava para eu tomar coragem de dividir mais sobre esta minha jornada (Obrigada Laís).


Empreender nunca foi uma "escolha" consciente para mim, inclusive eu mesma fugi do nome por muito tempo, me considerava várias outras coisas, sendo o nome mais comum o de produtora, mas no fundo eu já era isso, uma "empreendedora criativa". Sei que o anexo "criativa" parece firula, mas é só pra lembrar que não são apenas negócios, hehehe.

Tentar dar um jeito de fazer as coisas acontecerem por conta própria sempre me pareceu o único caminho para tornar possível aquilo que eu considero minha vocação profissional: contar histórias por meio de linguagens artísticas ou visuais (moda, design). Eu conto com a sorte (e muita gratidão) de sempre ter tido trabalhos (a gente não chama de emprego, porque tá bem longe disso) na área cultural / criativa, mas sempre que eu estava trabalhando para um projeto de outra pessoa, eu mantinha um projeto próprio, meu, rodando ao mesmo tempo. Uma vez eu ouvi em uma entrevista de emprego: "Garota, você tem que trabalhar em projetos seus, é isso que faz teu olho brilhar." Qualquer coisa menos que isso não me move. Mas até eu me dar conta disso, foram muitos percalços, muitos projetos legais, mas também muita cilada. E toda experiência foi válida, isso eu posso te dar certeza.

Vitrine da loja da minha mãe em 2003

A primeira vez que tomei contato com o empreendedorismo foi quando minha mãe abriu uma lojinha de presentes, uma coleção de achados e mimos, desde artesanatos super manuais até novidades importadas. Dá-lhe 25 de março, dá-lhe bateção de perna. Nosso forte era a curadoria de coisinhas fofas e modernetes, isto muito antes do boom das lojinhas virtuais, em uma época distante (ah 2002) que você precisava ter um contato muito forte de importação para conseguir um cofrinho de porco de pelúcia que cantava Beatles. Modéstia familiar à parte, eu acho que minha mãe mandava muito bem na curadoria e no layout da loja - que era modular, feito de cubos em três tons de rosa e lilás. Mas infelizmente a gestão, o momento familiar, tudo isso gerou uma bola de neve de escolhas erradas e no fim acabamos passando o ponto e vendendo as duas lojas - uma chamada Ana Banana, em Vinhedo, e a outra em Campinas, que se chamava Lila Pink (um tempo depois, uma menina abriu um blog com este nome).

Eu sempre penso que talvez se eu tivesse me esforçado mais para ajudar a minha mãe com as coisas que eu sei hoje, tudo teria sido diferente - naquela época o fotolog estava apenas começando, mas a gente já queria vender e divulgar pela internet. Temos poucas fotos da loja e dos produtos, também era muito difícil ter acesso a câmeras digitais, se você quisesse fotos decentes tinha que contratar um fotográfo profissional, então não repare na qualidade das imagens, mas dá para ter uma ideia do clima:



Um dos nosso erros foi justamente um que me persegue até hoje - a falta de foco. A gente queria fazer tudo - e tudo ao mesmo tempo. Por exemplo, quando alguns fornecedores nos deixaram na mão, tentamos começar uma confecção própria, com ilustrações pintadas em seda - começamos com estampas da Hello Kitty, que vendiam horrores, e depois desenhos próprios, como estes da foto, o casal de sapinhos era meu xodó. Tinha bolsa, mala, mochila, macacão, sobretudo, vestido, era uma loucura! Eu e minhas irmãs lembramos desta época com um misto de carinho e alívio, quem já teve comércio e está lendo este post sabe: montanha russa de emoções. No domingo anterior à abertura da primeira loja, depois de termos passado o dia todo fazendo as últimas arrumações, quando estávamos indo embora, minha mãe me disse algo que eu lembro até hoje, mais ou menos assim: "Acho bom isso dar certo, porque eu investi todo meu passado nesse futuro". E ao final, não deu, mesmo que tenha sido um sucesso por algum tempo, e a gente teve que lidar com isso.

Nessa época eu ainda era bem novinha, tava ali na beira dos 18 anos, mas era eu quem ia para São Paulo fazer as compras de estoque, e nossa, aquela experiência maluca de ter que encontrar encomenda de cliente em plena 25 de março na véspera de Natal fez maravilhas para o meu jogo de cintura no meu negócio atual, de ser figurinista. Quando você se torna empreendedor, descobre que todas as experiências da sua vida (até aquele bico de garçonete do Habibs na adolescência) convergem para o que você está fazendo hoje - assumindo riscos. Hoje eu vejo que essa experiência der ver minha mãe como empreendedora, com todos os acertos e erros, influenciou muito a minha vontade e capacidade de arriscar. Viu mãezita, não tem como fugir, a senhora é culpada pela filha que tem, hehehe.

Nos próximos posts da série, eu falo mais sobre a decisão e toda a experiência de cursar uma faculdade de artes e como isso me influenciou como empreendedora. Então não perca!

Se você também tem um negócio criativo ou gostaria de ter, me conta um pouco nos comentários das suas experiências e o que você achou desse primeiro post, feito com muito amor e muito na vontade de trocar mais sobre o assunto ♥

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