Você vai vestida assim ?

by - sexta-feira, novembro 20, 2015

Fiz duas compras pirigóticas ultimamente - uma calça preta brilhante agarrada e uma saia de paetê. Mais tarde me peguei pensando onde diabos eu ia conseguir usar estas peças. Logo eu.


Sempre fui meio temática, a louca do figurino na vida real. Como eu comecei a fazer teatro na adolescência, as pessoas meio que usavam isso para justificar meus gostos ôsados - "Ah, mas ela é diferente né..." Todo mundo sempre soube que eu não era muito normal e isso foi bom na construção da minha personalidade, porque sempre me dei ao direito de usar umas coisas meio esquisitas, mas hoje em dia, ainda me acho muito normalzona, não acho que eu consiga trazer muita personalidade para o meu estilo pessoal, por razões de ... tchanam: medo. De novo, logo eu, que sempre fiz questão de ser esquisita e diferente. 

Ontem eu tava vendo esse vídeo babado da Julia Petit com a Maria Eugênia (Adotada - MTV), e me identifiquei DEMAIS. Se vestir pra agradar bofe ? Magina, nunca. Já usei muita roupa curta e pirigótica, mas era porque eu gostava de me ver daquele jeito. E essa questão de agradar homem é só a primeira levantada na conversa, confere o vídeo inteiro:


E tem uma coisa que sempre me chama atenção sobre o estilo das duas, que é isso de poder usar o que quiser e mesmo assim ficar linda. Tirando o fato das duas serem magras e ricas, quero tentar adicionar um pouco do que vejo elas fazendo ao meu estilo, isso de poder usar peças que teoricamente não têm nada a ver, um foco de cor em um lugar inusitado, uma peça com aquela caaaaaaaaara de brechó, mas tudo isso com harmonia, exalando personalidade.

Mas que mundo chato esse nosso, em para fazer isso, você precisa ser magra e rycah, não é crianças ? Porque as pessoas precisam tanto encher o saco sobre a maneira como as outras pessoas se vestem ? Desde cedo, o povo já estava cortando o meu barato. Nos anos 90, tudo que eu queria era ser Spice Girl, toda montada no salto plataforma, lantejoulas e casaco de peles. Mas não, meus coleguinhas achavam que isso era bobo - eu havia acabado de mudar de escola, saindo da pública para uma outra escola com muita gente chata e careta (beijo escola católica de bairro pseudo burguês de cidade do interior, me erra hein) que torcia o nariz para o meu travestismo. 

E olha que doido - hoje em dia tem toda uma mulherada querendo ser drag (eu inclusa), ou seja, a gente nasce mulher mas acaba tendo inveja de todo o elenco de Ru Paul's Drag Race, porque aqueles garotos conquistaram o direito de se vestir daquela maneira, e são lindas, famosas e bem sucedidas daquele jeito. E eu admito, me espelho e inspiro nas drags mesmo, principalmente Adore Delano, Katya, Raja, Latrice (e a lista vai embora...)


Eu não sei quando foi que começou essa moda de norm core e estilo minimalista, que deixou um monte de gente tudo igual, e acho isso muito chato. Você dá scroll no Pinterest e já sabe o que vai aparecer, vê a blogueiras em semana de moda e já sabe o que elas vão estar vestindo....  Eu concordo em dizer "menos é mais" em relação à consumo, em comprar menos e melhor, mas quanto à estilo, prefiro a expressão "fazer mais com muito menos". Da gente poder comprar as roupas de veludo e paetê no brechó e poder usar por aí sem ficar uma galera apontando o dedo. Aliás, esses dias fui em um brechó que foi um verdadeiro deslumbre (vai ter vídeo com meus achados!!) e me liberei para comprar umas peças mais extravagantes, com intenção de usar sim!

Então vamos parar com essa besteira de pensar onde vamos usar as roupas malucas que a gente sempre quis usar. Quanto às roupas que falei no começo do post, já decidi o destino delas: vou usar nas festas de final de ano com a família.



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