Nova Barbie e Representatividade ?

by - segunda-feira, fevereiro 01, 2016


Depois de 57 anos sendo vendida numa mesma cor e tamanho, com uma queda nos números de vendas nos últimos tempos e de olho nas mães millenialls, a Mattel lançou na semana passada a nova Barbie, ou seja, a linha Fashionistas, com a hastag #TheDollEvolves, bonecas que agora vem em novas opções de corpo e cores de pele e cabelos. 

Acho que um dos motivos que sustenta o grande fascínio pela boneca, é que com ela podemos recriar um mundo em escala menor - sapatinhos, roupas, móveis, pessoas que se parecem com as do mundo real. Quando a boneca foi lançada, a família tradicional achou meio esquisito que ela tivesse peitos, ou seja, não é uma boneca criança, é uma boneca que imita um adulto. E talvez por isso mesmo seja tão potente uma das frases de marketing da Barbie, que é #VocêPodeSerTudoQueQuiser - você, garotinha brincando de Barbie, vai projetar uma você adulta naquela boneca, de um jeito ou de outro. 


O problema é que a você adulta muito dificilmente será loira, de olhos azuis, cabelos lisos e tão magra quanto a Barbie (o que é até impossível fisiologicamente falando). A Mattel até tinha as "amigas da Barbie", que eu me lembro até dos nomes: Christy era negra, Midge, a ruiva, e Teresa, a latina, mas estas versões nunca foram super presentes nas prateleiras do Brasil. Também sempre existiram as bonecas genéricas do Paraguay, que supriam um pouco essa necessidade da variedade de cores de pele e de cabelo, assim como as bonecas das Spice Girls, que tinham até tatuagens, mas essas opções nem se comparam com a hegemonia da Barbie loira. 

Eu tinha uma Teresa (que por sinal é meu nome do meio), com cabelos castanhos e olhos verdes. Comparando com a experiência de infância do meu namorado, quando perguntei a ele como era a relação entre "ser" e querer parecer o boneco, ele disse que pouco importava a forma física, podia ser um tartaruga ninja, aquele boneco "era ele", e tudo bem, ele não precisava ter a possibilidade real de ser como o boneco na vida. No meu caso - e talvez o da maioria das meninas - sim, eu "era" a boneca enquanto brincava, mas queria crescer e ser magra e alta de olhos verdes como a Teresa. 

Tree Change Dolls - Bonecas que parecem com crianças feitas a partir de bonecas comuns, transformadas: alternativas que mostram diversidade, mas não ameaçam o mercado. 

E muito bem, em 2016, a Mattel resolveu "inovar" e "celebrar" a diversidade mundial com mais representatividade na fabricação das bonecas. O executivos da Mattel dizem que foi um "grande risco" lançar esta linha, e o que vai acontecer se elas não venderem bem, nos 150 países onde serão distribuídas ? Ou será que é na verdade um grande pulo do gato, que a empresa ainda vai virar case de markting de sucesso para sempre, ao transformar a discussão sobre representatividade em produto? A campanha dessa nova linha seria linda, se não fosse do mesmo fabricante a povoar a imaginação das meninas durante 57 anos com um único e inatingível tipo de beleza: 


E as menininhas fofas dizendo como é legal ter bonecas "iguais às pessoas do mundo real?". Sorry Matell, o mundo real não tem só sete tons de pele, quatro tipos de corpos, 22 cores de olhos e 24 estilos de cabelos diferentes, como a Linha Fashionistas tem. E como disse a Eliane Brum:
Ao final de um desses vídeos promocionais, uma menina diz: “Essas bonecas se parecem com as pessoas do meu mundo mágico”. É mesmo “mágico” o mundo em que o deus criador da Barbie se torna um avalizador da diversidade, quando não seu próprio inventor. De um certo ângulo, são sinistros os vídeos fofinhos e politicamente corretos do mundo das “Barbies da diversidade”, como já estão sendo chamadas.
É muito legal que existam bonecas com quem as meninas possam se identificar, claro que é. O que não é legal é a gente comprar essa ideia de como a Mattel/Barbie é "evoluída" - lembra da hastag: #TheDollEvolves, e que só agora eles tenham visto como é uma boa ideia investir nisso. 

E você, o que acha dessa "diversidade" da nova Barbie ?

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