Quando casar sara

by - terça-feira, novembro 21, 2017

Esse é um post sobre não romantizar o casamento, lidar com expectativas alheias e acima de tudo, celebrar o amor.


Crescemos ouvindo essa expressão (nós meninas - não tenho certeza se os meninos ouvem tanto): quando casar sara, ou quando casar passa. Já parou para pensar de onde vem a expressão, passa o quê, sara o quê? 

Quem contou a origem da expressão foi a querida Brígida, durante uma aula de historia da moda, em que na verdade estávamos discutindo fontes materiais e imateriais, ou seja, documentos, muitos desses ligados aos ditos eventos "femininos", tais como enxovais, vestidos da noiva, bailes de debutante, etc.

Quando casar sara queria dizer que quando casada, não adiantava mais reclamar, não é que as coisas não doíam mais, saravam ou passavam - agora você era uma mulher casada e tinha que aguentar. Se você leu os livros da Elena Ferrante, é algo parecido com o que acontece quando a personagem Lina se casa, toma surras, e outra personagem diz que ela apenas "está aprendendo a ser esposa". 

Por essas e outras, sempre relutamos sobre a ideia de casamento. Olhando para a expressão sem toda essa conotação pesada, com ironia e algum senso de humor, quando casar sara também pode ser interpretado como o fim das agruras dessa festa, que pega seu relacionamento e joga numa planilha de excel. Foi por conta de todas essas conotações de machismo e consumismo exacerbado que envolvem desnecessariamente a instituição do matrimônio que sempre tivemos preguiça de casar, apesar dos 68 anos juntos - brinks, acho que são 15 ou 17, não temos muita certeza.


Decidimos nos casar, no cartório e com uma festa pequena e alternativona. Tudo começou um pouco na brincadeira, um pouco por necessidades burocráticas, e porque a data tinha tudo para dar certo: primeiro de abril. Tinha um pouco de jocosidade, claro, porque ninguém acreditaria nesse casamento maluco; em segundo lugar, 01 de abril foi uma data muito importante na nossa historia, quando a lista de espera do vestibular rodou e me ligaram da universidade com a informação que mudaria minha vida, e por consequência também a do Antonio. E no final das contas, além de ter sido um lindo sábado de outono, pegamos vários descontos com os fornecedores por ser baixa temporada - yey!

E olhe, casar num esquema alternativão também é difícil, também sai caro, é palpite de tudo quanto é lado - não espere um post todo pinterest, cheio de foto clara e bonita. A ideia era casar cedo, com luz, mas meu vestido estourou o zíper, o que atrasou o começo da cerimonia, escureceu cedo por ser outono, casamos quase no escuro, minha franja ficou caindo na cara, eu tirei os sapatos de salto no meio das fotos pós cerimonia, antes da festa começar, não temos foto clara e posadinha blogayrinha.

♥ Aline Barbosa salvando o mundo costurando o zíper estourado do vestido | Foto Monique Souza 

E mesmo assim, eu não faria nada diferente. Estávamos lindos e felizes, rodeados das pessoas que mais amamos! Conseguimos fazer (quase) tudo do nosso jeito: brindamos com tequila ao invés de champanhe, um amigo querido celebrou a cerimônia, não tivemos alianças nem padrinhos e madrinhas. Ainda bem que tudo foi rápido - decidimos nos casar em 02 de fevereiro (salve Iemanjá) e a festa foi no 01 de abril, então tivemos apenas 02 meses para resolver tudo, o que foi ótimo porque não tinha muito tempo para elucubrar eternamente decisões como por exemplo a paleta de cores - tinha que ser simples, dá-lhe mosquitinho e suculenta, e pronto. A lista de convidados foi o maior trauma, mas a real é que você precisa reduzir a um número que dê pra pagar, e isso acaba causando tretas infinitas entre família e grupos de amigos. Sempre dá muito certo no final, mas o processo é jogo infinito de expectativas dos outros x desejo dos noivos, com a subdivisão noivo x noiva também.

Nossa política foi só contratar fornecedores pequenos e ponta firme, que já conhecíamos ou nos indicaram. Queríamos que quem estivesse trabalhando lá no dia compartilhasse das nossas ideias. Fora que a decoração e mesa de doces ficaram por conta da casa mesmo, com curadoria da minha mãe e da minha irmã Emília - todos os arranjos florais e o bolo foram obra delas, assim como parte dos docinhos, incluindo o tradicional doce de abóbora da minha mãe.

Doces e flores por Maria Emília da Wanaka Cookies
Doces e flores por Maria Emília | Fotos Maycon Soldan | Lamarca Fotografia 

E valeu a pena passar por todo esse processo maluco, mesmo que a gente sempre tivesse falado que não ia casar? Valeu muito, porque naquele dia, nós vivemos um pequeno pedaço do mundo que gostaríamos de viver todo dia - cercados de amor e das pessoas que compartilham conosco de valores de respeito e tolerância.


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