Brechó Masculino, uma questão



Abril é mês de Fashion Revolution, e vou aproveitar para desenvolver uma questão que é rascunho de post há eras: brechó de moda masculina heteronormativa. Quando se trata de estilo, sou da opinião do "f*da-se o gênero", não interessa se é um item masculino/feminino, você pode e deve usar aquilo que você quer! Mas quando falamos de mercado e varejo de moda, sabemos que não é bem assim, se a indústria atual da moda ainda está engatinhando em relação à desconstrução de masculino/feminino, com raras coleções unissex/genderless; imagine os brechós, que vão trabalhar com a roupa de segunda mão que foi confeccionada nos últimos anos, um desafio bem maior. Ainda é algo de nicho, mas tem vários brechós fazendo coisas lindas nesse sentido. Meu favorito é o Saindo do Armário, de São Carlos SP (vende online), uma maravilhosa proposta unissex com o styling certeiro da Talita (que foi cliente minha da consultoria de negócio criativo e tem até guest post por aqui!).

Na minha humilde experiência, como cliente ou "dona" de brechó, é mais raro encontrar moda masculina ou homens comprando. Quando fazemos o brechó do figurino, nossas poucas peças masculinas são disputadas. Claro que quando falamos em bazar de caridade, aí sim, sempre vai ter masculinas aos montes, mas bem menos homens garimpando.

Isso posto, bora lá problematizar essa história da roupa masculina de segunda mão. Porque nos brechós com curadoria que frequentamos vemos menos opções masculinas? Tenho três hipóteses que sempre discuto com meninos amigos que gostam e usam roupa de brechó, mas tem dificuldade de comprar:
  1. O homem usa a roupa até ela acabar, gostando dela ou não, por isso não chega a ir pro brechó?
  2. Falta de interesse do varejo de moda dos brechós? Os homens procuram menos por roupa de segunda mão?
  3. Não são os homens quem compram suas roupas, muitos colocam esta decisão na mão das companheiras (quando são o perfil hétero preguiçoso)? 
Outra bola levantada debatendo essa questão foi a de que a compra em brechó é um processo mais longo, de garimpo, exige paciência e tempo disponível, mas essa eu considero uma dificuldade acima do gênero. 

Entre conhecidos ou clientes de brechó em geral que encontro por aí, reconheço 3 perfis masculinos: o que usa brechó porque a companheira compra (ex: meu marido),  o cara trabalhador braçal que compra porque gasta muito a roupa (ex: pintores, pedreiros, jardineiros), e um terceiro cara, que compra por questões de estilo e expressão de personalidade. Um desses exemplos é o Jonatas, que aceitou modelar pro post, usando esse blazer descolado garimpado em brechó:



Todas essas problemáticas levantadas, termino com uma reflexão que escrevo e saio correndo:
A moda consciente é um movimento predominantemente feminino? 

Nenhum comentário

E você, me conta ? Este espaço é para trocarmos ideias ! Se tiver alguma dúvida, deixe um e-mail ou link para que eu possa responder, por favor.