Um pouco do meu trabalho como figurinista - 2010

Em 2010, trabalhei na reformulação do figurino da peça Isabela, a astróloga de Araque, do Grupo Preto no Branco, uma farsa inspirada na commedia dell arte.

Além de dar um tapa nos figurinos já prontos e refazer alguns, a protagonista título da peça tinha acabado de cair nas mãos da Nádia ( que é também minha companheira de cena na Cia da Insônia) e eu tinha acabado de ganhar uma ceninha como um personagem que faz a abertura da peça. Vou mostrar meus figurinos favoritos, os das meninas da peça, e o mais legal é que as duas mocinhas tinham figurinos duplos, então foi duplamente divertido. As fotos são da Tati Nichell e os desenhos são meus.

Isabela - Nádia Stevanato

Notaram uma influência Alice ? Juro que foi inconsciente. O vestido já existia, minha mãe deve ter costurado ele há uns 30 anos atrás, e fizemos o corpete com os laços e a saia de tule, já que tinha uma referência de bailarina pra essa personagem, que é um arquétipo da commedia dell'arte, a enamorada, que não usava máscara, ou seja: a mocinha, a estrela desse gênero.

Astróloga

Numa parte da história a Isabela (Nádia) se fantasia de astrológa, meio uma cartomante charlatona, e a gente achou legal que ela ficasse assim, meio cigana molamba, bem em contraste com aquela coisa mais fofinha e etérea que é a própria Isabela. O corpete eu já tinha, e sempre uso em fantasias de cabaré (que eu ADORO! tá, eu sou clichê), a saia era um vestido dos anos 50 que estava se desmanchando e tem umas rendas lindas, então acabou virando saia, e o turbante e os acessórios a Nádia mesma que foi montando do jeito que queria.

Esmeraldina - Ana Garbuio

A personagem é uma empregada, uma personagem que na tradição é representante de uma classe mais baixa, e por isso rola uma coisa mais molanbinha mesmo. A blusinha era rosa e como eu não achava mais nada desse tipo pra comprar e não dava tempo de fazer, nós jogamos na cândida e rezamos pra dar certo. O corpete foi feito pela fabulosa Dona Hilda, que também fez o da Isabela, em tempo recorde, tipo da noite pro dia. A saia a Ana já tinha, e eu costurei os retalhos do avental à mão, com pedaços de pano que a minha mãe nem pode saber que usei, que ela morre de ciúmes dessas coisinhas. Bom, deu pra perceber como eu gosto de corpete né ?

Halim Al Chinfrim

Pra ajudar na farsa da astrológa, a Esmeraldina se veste de princesa exótica, pra enganar um outro personagem, o Capitão Matamoros. E se o outro figurino era super camponesa, esse aqui é a redenção em forma de glamour: transparência vermelha, moedinhas de ouro, muito ouro, correntinhas douradas ...

Outra vez, Dona Hilda salvou nossa (segunda) pele, bordando as moedinhas e correntinhas, fazendo a saia meio cigana pra não ficar muuuuito odalisca, mais uma coisa exótica mesmo. A maquiagem é mérito da Dri, nossa maquiadora nesse dia.

Próloga

Lógico que eu ia inventar de usar um corpete pra minha personagem, óbvio, que eu sou clichê.

E acabei virando uma alemãzinha da bavária, com essas trancinhas no cabelo ! A saia linda de laise e a saia de tule a Dona Hilda fez, a meia arrastão e o corpete eu tinha, é tipo, tudo que eu sempre sonhei em usar !!! Mas era coerente com a peça, com a coisa da farsa e etc, JURO ! Tinha pensado também em fazer uma roupa meio domadora de circo, mas acho que essa funcionou.