2020-2010



A ficha caiu quando eu estava escrevendo um texto que nasceu de uma conversa e pensei “nossa, ficou muito grande pro instagram”. Coloco na newsletter? Minha lista de pessoas é meio xs, mistura gente lá do começo com um dia que resolvi baixar os contatos do meu gmail, ficou um caos total. Daí lembrei da fatura do cartão, o google cobrou o valor do domínio anual convertido do dólar, doeu. Pensei, ué, bota isso no blog, sua doida! Pra quê você paga esse domínio? É que teve uma hora que eu achei que o blog tinha virado site e só cabia o que fosse portfólio ou inscrição para cursos. E até é, mas no fim as pessoas nunca entram no site como um todo, no link que eu direciono já é um parto, fui olhar o conteúdo para ver se fazia sentido. Então me dei conta que esse blog/site faz dez anos nesse dia 27!

O que gosto aqui é o tempo do blog é outro tempo que não o da rede social. Slow blogging podia ser só blogging, que é mais devagar mesmo. Admiro a maneira que Juca Kfouri usa seu blog, com posts curtos que podiam ser um tweet, só que ele não faz a menor questão de usar twitter nem instagram. Quer ler o Juca, vai no blog dele e acabou. E vai gente mesmo, tanto que agora tem que assinar para poder ler.



O Creyssa Phyna começou (primeiro post 27 de fevereiro de 2010) meio pinterest, de tudo um pouco, colocava o que achava legal e não queria perder no buraco negro da internet. Daí quis trazer minhas irmãs pro babado, teve post de receita e até de viagem com cada uma. Daí veio uma era meio instagram, de quando começaram os looks do dia, uma alucinação no uso dos filtros do Pixrl, quem se lembra dessa obsessão coletiva? Nunca fui boa em posar pro look do dia, uma das minhas fotos favoritas lá do começo eu tirei sozinha, usando o timer da câmera, no meio da rua, e ficou borrada como uma aquarela num dia de chuva.



Com o tempo, veio a profissionalização, o youtube, as redes sociais. Pra variar, a grafia do nome do blog era difícil - minha sina, ninguém sabe como ler meu sobrenome, até por isso virou "Diga Kil" (Café Kühl me chama pra parceria). E achei que com a maturidade era hora da brincadeira se transformar em cartão de visitas / portifólio / manda jobs.

Com o aniversário de 10 anos, veio uma vontade de aqui voltar a ser um lugar respiro, de escrita mais leve, diferente da escrita acadêmica do meu mestrado (com prazos e abnt). Ou ainda diferente da escrita do meu trabalho de produção audiovisual. Ou da minha preparação de aulas de figurino - conteúdo que eu amo amo produzir, se tem um dia que não tenho compromisso eu faço de lazer. Aquela história de um trabalho que parece hobby, e aqui pode ser hobby mesmo, como o último post que não tem nada a ver com trabalho. Nem com a esclerose múltipla, quando fui escrever sobre, abri um medium porque sou dessas que tem um caderninho para cada assunto. 

A escrita aqui também é meu projeto mais longo de vida, nunca fiquei tanto tempo assim no mesmo trabalho, no mesmo figurino, no mesmo projeto. Você que me conheceu magra e morena, descobre aqui meu eu ruiva parrudinha. Você que já estava aqui lá no começo, recordar é viver:

- Quarta feira de cinzas, um dos poucos posts sobre looks que achei que funcionou
- Da época que eu vivia em umas 3 casas ao mesmo tempo
- Fui ruiva por quase 10 anos e escrevi muito sobre ruivice - esse manual ainda vale super
- Em 2013, olha lá a semente do meu mestrado, sobre roupa e época
-De quando eu fui para Buenos Aires
- Quando começou essa história de guarda roupa compartilhado, lá em 2015
- Da minha época youtuber de brechó (sim, eu tentei)
-Olha ela, querendo ter mais bem estar (depois descobri que aquele desânimo já era a esclerose)
- Um de figurino, meio recente até, quase vintage, Ladybird e I Tonya


Tá bom de buraco da nostalgia né?

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