Meu amor pelas coisas que brilham

Aprendi a bordar lantejoulas e paetês com 18 anos, e me lembro de ter ficado um pouco obcecada por isso na época, bordei uma borboleta imeeeensa numa camiseta que hoje me pergunto onde guardei, porque queria muito ver a cara desse trabalho de novo. 

Tenho um estoque vitalício de lantejoulas, canutilhos, acumulado ao longo de vários trabalhos de figurino, e que vou ganhando das pessoas que me conhecem, como uma amiga senhorinha costureira, que me passou de herança tudo que ela tinha de miçanga.

Gosto de bordar lantejoula em tuudo, como nesta encomenda especial do Catarse, mas uma das coisas que mais gostei de fazer foi esta máscara, para o espetáculo de dança Después :

Também produzi para um outro trabalho estes acessórios de cabeça de melindrosa, misturando plumas e paetês! Foi tão facinho que eu deveria tomar vergonha na cara e fazer um tutorial em vídeo ou aceitar encomendas pro Carnaval. Usei aquelas tiras elásticas de paetês, elásticos, miçanças, penas avulsas, dá pra usar o que tiver em casa!

Embora eu nem goste tanto assim de carnaval, devo confessar que fico bem feliz de ver as redes sociais inundadas de sereias, melindrosas, todo tipo de brilho, glitter e paetê!

Obscessão: rosa-porquinho.

fonte: aqui. 

fonte: aqui. 

O termo "rosa porquinho" nasceu entre as minhas irmãs para denominar essa cor que já foi chamada de rosé, rosa nude e rose quartz (um dos tons da pantone no ano passado!). Acho que não preciso explicar o porque dessa expressão ... A primeira vez que o termo surgiu aqui no blog foi em 2011 (!!), mas como ainda sigo obcecada pela cor e estou trabalhando numa mega revisão de conteúdo para o aniversário do blog agora em fevereiro, quis reeditar este post.

Já naquela época, eu sabia que não era uma cor que me favorecia, o que não me impediu de acumular uma coleção de peças nesse tom:

Foto do post originalmente publicado no creyssaphyna.blogspot.com em 2011 (!!!)

Foto do post originalmente publicado no creyssaphyna.blogspot.com em 2011 (!!!)

Com o passar do tempo, fui doando e vendendo a maioria dessas peças, mas nunca deixo de suspirar e querer coisas novas nesse tom. No final do ano passado, eu fui modelo para alunas de um curso de análise de coloração pessoal, e um dos conselhos era que essa cor realmente me desfavorecia. Mas quem disse que parei com essa mania ?

Talvez com o contraste do cabelo mais escuro, e usando um batom de cor forte, eu achei que dá pra fazer a cor funcionar, embora realmente não seja o melhor tom de roupa pra mim, quase igual a minha pele.

Mas sigo achando a coisa mais linda do mundo essa cor. A parede do meu escritório tem esse tom, adoro ganhar caderninhos nesse tom ...

rosa porquinho da anna

Posso ostentar com orgulho meu título de Rainha do Rosa Porquinho ?

Achados e Garimpos de Brechó: Algodão Pima, Vestido Pin Up e mais!

Sim, o tipo de vídeo com a maior audiência do meu conteúdo está de volta: Achados de Brechó - edição fevereiro 2017! Não vou mentir, eu também adoro ver esse tipo de vídeo por aí, louca pra ver o que as brechozeiras de carteirinha andam comprando por aí. 

Deixei juntar algumas peças mais interessantes, com alguma historia ou informação de moda pra detalhar, então dá o play:

Serviço - Brechós Citados no vídeo

Blusa branca de algodão pima - The Mix Bazar

Saia de viscose da Cantão - Espaço Green Brechó

Vestido pin up - Bazar da Sobrapar

Camisa verde - VID Estúdio Criativo (também conhecido como o meu brechó): eventos pontuais que acontecem de acordo com a nossa agenda e estoque. 

O que é o tal do algodão pima ?

Esta variedade de algodão é conhecida principalmente por sua maciez, por conta da sua fibra longa, responsável por uma incrível durabilidade que se mantem após diversas lavagens, em média 45% mais resistência a manchas, durabilidade e profundidade de cor. Sua colheita é feita manualmente, fator que evita danos as suas fibras durante tal processo e preserva as características do produto. De origem peruana, o nome deste algodão se refere aos índios Pima. (Fonte)

Gostaram dos achados ? Aproveita e se inscreve no canal ;)

Como aprendi a costurar

Foto da maravilhosa Andrea de Lima pro projeto Memorias Vestidas.

Foto da maravilhosa Andrea de Lima pro projeto Memorias Vestidas.

Às vezes eu sinto que as pessoas pensam que por eu trabalhar com figurino, eu meio que já nasci costurando, e sei costurar qualquer coisa, mas não é bem por aí! A verdade é que eu ainda estou aprendendo a costurar, já tive muito medo da máquina de costura e da verdadeira engenharia que é juntar pedaços de tecido e transformar em coisas. Na verdade, ainda sinto esse medo toda vez que começo um novo projeto, #peganaminhamão! Tenho sorte de ter passado por ótimas experiências nesse processo de aprendizado, e por contar com uma sócia que não tem medo de quebrar a cabeça e consegue entender tudo que aparece sobre costura na nossa frente. 

Costura é algo bem complexo que envolve diversas habilidades manuais e intelectuais: matemática, trigonometria, coordenação motora ... É como aprender uma língua nova - você começa com coisas bem simples, entendendo por exemplo como as sílabas podem formar as palavras, ou quando uma letra faz um som tal em determinada situação e outro som quando a situação é diferente. Depois, você aprende algumas frases prontas, e começa a se virar: pergunta as horas, fala seu nome, o que você sabe fazer .... E só mais lá pra frente, você vai conseguir fazer redações inteiras, conversar e responder nessa outra língua, ou até mesmo morar e trabalhar em um lugar que fala esta língua. 

Eu diria que no idioma da costura, eu estou ali no meio do caminho: faço várias coisas, consigo me virar, mas às vezes a pronúncia ainda não sai perfeita, ou então até entendo o que estão falando nesta língua, mas não consigo formar as frases exatas para fazer a conversa fluir. Traduzindo: eu sei manusear a máquina, domino o corte e a costura de peças simples (saias, bolsinhas de pano, coisinhas artesanais), não tenho medo de zíper e de overlock (ok, tenho um pouco de medo dela ainda, Alineeeee ajuda eu) ... Ainda não domino a arte da modelagem, mesmo que eu entenda um pouco de como se constrói um molde ou outro. Estou um pouco longe de escrever uma redação complexa - por exemplo, costurar um vestido estruturado com forro ou uma calça de alfaiataria. 

E como foi que aprendi ?

Aos 14 anos, eu fiz a oitava série na escola do SESI, em Campinas. Antes eu estudei em outras escolas porque não era tão simples conseguir uma vaga no SESI, mas logo que conseguimos, minha mãe falou pra eu fazer curso de Corte e Costura, oferecido a preços populares. Lógico que - não ouvi minha mãe e estava mais preocupada em viver minha adolescência, fazer teatro e mostrar meu piercing no umbigo (risos), então tive que aprender depois de velha.

E a primeira aula de costura que eu fiz foi no SESI de São Carlos, durante a faculdade, de cara fiz uma bolsa dupla face toda entretelada, que usei durante vários anos! Fiquei muito empolgada com aquela possibilidade, mas como eu não tinha máquina de costura, fiz só mais algumas aulas (e saias de chita) e deixei pra lá. 

Se você fica um tempo sem costurar, acaba esquecendo algumas coisas. Às vezes eu pegava a máquina da minha mãe pra tentar fazer uma barra de calça e SÓ FALTAVA CHORAR, ridículo. Quando voltei a morar em Campinas e já estava trabalhando com figurino, achei que era hora de levar a costura a sério. Voltei pro SESI e fiz mais algumas aulas - de manejo de máquina, saia, camisa .... Nessa época, fiz um post no blog que foi super acessado e me rendeu até uma aluna de costura, veja só!

Quando fui para a Argentina estudar moda, um dos cursos que me inscrevi era uma oficina de costura. Aí a dificuldade se elevou ao cubo, porque agora imagine isso em ... espanhol, socorro chica!  Também tem post dessa época, quando fiquei maravilhada com as compras de tecido e aviamento no bairro Once, em Buenos Aires. Trouxe um estoque vitalício de botões pro Brasil!

No ano passado, vieram vários projetos de cursos e figurinos que envolviam costura lá no VID, e agora temos uma estrutura de costura que conta até com uma overlock! Mesmo após todas estas experiências e processo de aprendizado na costura, às vezes eu ainda me sinto insegura, acredita? Acho que também tem a ver com um respeito muito grande que sinto pelo ofício da costura - é algo que considero tão mágico, tão inatingível que não pode ser dominado por uma pessoa tão desastrada como eu. Por isso que toda vez que concluo um projeto de costura, sou inundada por uma felicidade sem tamanho. 

E é por isso que eu encorajo TODO MUNDO a enfrentar qualquer insegurança ou síndrome de "ai, nunca vou conseguir" e começar a costurar já! 

para aprender a costurar

1) Para quem precisa começar do comecinho

Se você está no nível iniciante total, é legal começar aprendendo a mexer na máquina de costura e algumas coisas básicas primeiro. Atendendo a muitos pedidos que as pessoas faziam sempre que visitavam nosso ateliê, estamos oferecendo aulas de costura para iniciantes, para desvendar a máquina e desenvolver projetos simples de costura. Clica aqui pra se informar!

2) Para quem quer treinar e fazer projetinhos fofos e fáceis

Meus tutorias favoritos da internet, que me ajudaram muito no começo, e ainda ajudam:

A Costureirinha - praticamente tudo que quero ou preciso fazer tem um vídeo dela, com a melhor didática possível! Eu queria fazer uma necessaire - ela tem vídeo. Eu queria uma saia envelope com cós embutido - ela tem vídeo. Eu precisava fazer um almofadão pra minha mãe porque a cachorrinha nova comeu a almofada - ela tem vídeo. 

Garota Prendada - além da Graziella Moretto ser uma das minhas atrizes brasileiras favoritas, ela sempre começava os vídeos dizendo que se ela conseguiu, você também consegue, e sempre me identifico com a frase, hehe! O vídeo dela explicando como colocar zíper é imperdível. 

3) Para se aprofundar ou se especializar no ofício

Sabe aquela pessoa que você só quer estar por perto e aprender o que puder com ela ? Essa é a Rosângela, criadora da Escola Rubbo de Manualidades. Acabamos de fazer um curso de acabamento lá, mas na verdade eu queria era fazer TUDO da escola, desde as oficinas de bordado até a formação para Modista. Com a Rô, você aprende a realmente desenvolver o pensamento, entender o idioma da costura, não só falar frases prontas. Acho que depois desse último curso eu finalmente me senti segura pra falar para as pessoas que sim, eu sei costurar.

Foto da máquina de costura dos avós do meu amigo Gustavo, em Poços de Caldas <3

Foto da máquina de costura dos avós do meu amigo Gustavo, em Poços de Caldas <3

 Depois me conta se você já costura ou se vai embarcar em alguma das minhas sugestões!

Que historia sua casa conta sobre você ?

casadigakil

O que sua casa diz sobre você?

Quero dizer, qual proporção de coisas que você ama e que representam o que você é existe na sua casa ? Explico melhor. Por exemplo, qual a primeira coisa que alguém que nota quando entra em sua casa - pode ser a organização e limpeza impecáveis, ou ainda que você tem muitos porta retratos com momentos familiares, uma pilha enorme de dvds assistidos ou a assistir, uma máquina de costura cheia de cortes de pano ao redor, seus gatos passeando, a bagunça que o seu cachorro faz .... Esta coisa que as pessoas reparam, coincidem com a sua paixão ou algo que você ama ou gosta muito de fazer ?

Dei todos esses exemplos porque andei reparando na casa das pessoas que conheço - e também na profusão de tours domésticos que andou aparecendo no meu feed do youtube. Não apenas quanto a decoração, não estou falando só do "pinterest way of life", estou me referindo à quais coisas ficam mais à mão em sua casa, quais são visíveis para as visitas, quais coisas você bate o olho sempre que chega em casa ou levanta de manhã, e que te fazem sorrir.

Minha grande paixão é contar histórias. Trabalho com figurino, já fiz muito teatro, uma graduação em cinema, gosto de bordar e costurar, sou apaixonada por historia da moda e toda e qualquer relação entre moda e trajetória pessoal. Pra mim, tudo se resume a contar histórias, seja por meio de alguma linguagem artística (figurino, moda, teatro, cinema, fotografia, desenho) ou nas coisas do cotidiano, nos objetos afetivos que enfeitam nossa casa e também na maneira como nos vestimos todo dia.

É o que eu faço pra viver, como eu tento pagar minhas contas, é o que eu amo fazer e o que quero seguir fazendo até ficar velhinha (onde sempre me imaginei costurando roupinhas de bonecas). E me esforço para que isso fique claro na minha casa, não para que os outros achem bonito, mas para que eu tenha um dia-a-dia mais gostoso de viver. 

E você, como isso funciona por aí, no seu cantinho ?

Este post foi publicado originalmente no Creyssa Phyna, em abril de 2014. 

Diário em Tópicos ou Bullet Journal

bullet.jpg

Depois do post anterior, fiquei com vontade de explorar mais o assunto bullet journal, e gravei um vídeo sobre o assunto!

Gosto de complementar o vídeo com post, primeiro porque tem gente que prefere ler ao invés de ver youtube, e segundo que sempre tem coisa que a gente esquece de falar (mesmo que faça um roteiro). 

O bullet journal, ou como eu chamo no vídeo, diário em tópicos, é um caderno que você usa para planejar e registrar sua vida: trabalho, rotinas, sensações e notas em geral. Porque é legal usar um caderno ao invés de folhas soltas? Para você ter um registro do que está acontecendo na sua vida, e inclusive pode fazer um índice no começo do seu caderno para encontrar mais fácil uma coisa ou outra. 

O que o tal do Bullet Journal tem de diferente de um caderno qualquer ? Regras, ou ainda, uma metodologia. No meu caso, eu li um monte de coisa e cheguei num formato final que funciona pra mim, onde aderi à alguns conceitos (e não outros):

1. Índice e numeração de páginas

Antes de começar, você pode deixar umas três páginas para usar de índice, mas aí você vai precisar numerar o diário como um todo, página por página. 

2. Visão do mês - ou log do mês

Antes de começar os dias e semanas do mês, você faz uma lista daquilo que pretende ou precisa fazer naquele mês. Eu chamo isso de visão do mês, mas também é chamado de log mensal. Pro log do ano como um todo, eu uso o planejamento anual que disponibilizei - aí todo começo de mês eu olho este arquivo e faço a visão mensal no caderno. 

3. Visão da semana - ou log

Mesma coisa do item anterior, mas com relação à semana. 

4. Distribuição da semana

A partir da visão, você vai distribuindo o que vai fazer de cada item em cada dia da semana. 

Semana do lado esquerdo, dia no lado direito

Semana do lado esquerdo, dia no lado direito

5. Diário

E por último, o dia, geralmente uso uma página inteira, outras vezes mais, outras menos. Divido em 4 seções: tarefas e eventos, onde anoto tudo que vai acontecer naquele dia ou que precisa ser feito; sensações, onde registro tudo que aconteceu comigo de diferente naquele dia, físico ou emocional; rotinas, onde anoto alguns rituais do meu dia e em que ordem eles fora feitos, se esqueci ou não consegui fazer alguma dessas rotinas; e por último notas e ideias, que é qualquer coisa nova que surge e não se encaixa nas outras seções.

Para anotar as coisas no quadrinho de tarefas, eu uso as regras do bullet journal e faço assim:

O quadradinho é para tarefas - quando ela é feita, recebe um check, quando é cancelada, um x, e quando adiada, uma setinha. Para eventos ou compromissos, uma bolinha. Quando é algo só pra lembrar, mas que não é nem uma tarefa nem evento, aí usamos um tracinho. E quando algo precisa ser destacado, asteriscos ou pontos de exclamação. Eu costumo fazer tudo de lápis pra ter flexibilidade - se algo é adiado, cancelado ou muda de dia, eu apago e transfiro. Ás vezes eu uso um post it quando é algo que ainda não é certeza, se mudar de data, eu só colo o post it na página do dia certo. 

Se você prefere ver o vídeo, é só dar play: