Dress Code x Moda Consciente

Então eu comecei a trabalhar em um projeto novo que acontece dentro de um ambiente corporativo. Mesmo sendo um projeto cultural, eu senti uma mudança significativa no dress code, um pouco mais formal.

formal x informal

Como eu trabalho freelancer (à esquerda): botinha, parte de baixo curta, camiseta de estampa pop. Como eu trabalho em ambiente formal (à direita): blusa de mocinha, parte de baixo no joelho ou calça, sapato mais feminino. 

E porque nós ficamos tão preocupadas com questões de adequação de roupa em ambientes sociais diversos ? Esses dias li o artigo "Como a moral e o politicamente correto influem na sociedade em questões de vestimenta?", que resumia algumas dessas minhas novas inquietações, que acontecem principalmente com nós, mulheres. Não queremos parecer ingênuas demais, não podemos parecer duronas demais, temos que ser femininas, ao mesmo tempo que não podemos ser vulgares ... Afinal, como devemos nos vestir ? 

Me peguei naquela clássica crise: eu não tenho roupa. E olhei pra minha maneira de consumir roupa, construída a duras penas, em anos de bater perna em brechó, ações e estudos sobre moda consciente, e o mais determinante: muita pindaíba. Este projeto vai me trazer condições para consumir melhor, e talvez comprar naquelas marcas super conscientes que sempre tive vontade e nunca tinha tido condições, ou para investir em alguma peça que vou vestir pelos próximos 20 anos. Ao mesmo tempo, também é fácil cair na armadilha de comprar qualquer coisa correndo "porque preciso", em qualquer loja, só pelo impulso de se sentir adequada a qualquer custo. 

E aí eu entendi algo que eu via acontecer em discussões em grupos de facebook, sobre como às vezes a moda consciente demoniza quem usa fast fashion. Entre minhas novas colegas mulheres, acredito que só eu tenha um guarda roupa que é pelo menos 50% brechó. Eu que vivo bradando aos quatro cantos as boas novas da moda consciente, agora vejo que montar um guarda roupa de segunda mão é bem mais fácil quando você tem flexibilidade de horários ou apenas está inserida naquele contexto e por isso já sabe onde conseguir as peças que precisa para o seu tamanho e código de vestuário do trabalho.

Tempo e informação de consumo são privilégios, ora ora. 

Em tempos de glamurização de looks brecholentos, a gente precisa manter a visão crítica e reconhecer privilégios de consumo, mesmo quando o problema não é pagar caro - inclusive, com brechó é justamente o contrário. Sim, precisamos consumir menos e melhor, mas temos que lembrar que tudo isso é um processo, onde estão envolvidas muita coisa além da nossa vontade, e que por isso não dá pra sair demonizando a coleguinha que só compra em fast fashion porque é onde ela vai achar o tamanho dela, se adequar ao ambiente de trabalho e conseguir pagar. Ao mesmo tempo que sim, podemos perder o preconceito e consumir roupa de segunda mão, nem que seja nas ações de troca com as amigas, que olha, foi o que salvou esse meu novo guarda roupa!

Sim, é possível: look que eu uso na firma e que é TODINHO de brechó (saia e blusa VID Estudio Criativo), inclusive o colar (que é Que Chuchu Moda Vintage).

Sim, é possível: look que eu uso na firma e que é TODINHO de brechó (saia e blusa VID Estudio Criativo), inclusive o colar (que é Que Chuchu Moda Vintage).