Como aprendi a costurar

Foto da maravilhosa Andrea de Lima pro projeto Memorias Vestidas.

Foto da maravilhosa Andrea de Lima pro projeto Memorias Vestidas.

Às vezes eu sinto que as pessoas pensam que por eu trabalhar com figurino, eu meio que já nasci costurando, e sei costurar qualquer coisa, mas não é bem por aí! A verdade é que eu ainda estou aprendendo a costurar, já tive muito medo da máquina de costura e da verdadeira engenharia que é juntar pedaços de tecido e transformar em coisas. Na verdade, ainda sinto esse medo toda vez que começo um novo projeto, #peganaminhamão! Tenho sorte de ter passado por ótimas experiências nesse processo de aprendizado, e por contar com uma sócia que não tem medo de quebrar a cabeça e consegue entender tudo que aparece sobre costura na nossa frente. 

Costura é algo bem complexo que envolve diversas habilidades manuais e intelectuais: matemática, trigonometria, coordenação motora ... É como aprender uma língua nova - você começa com coisas bem simples, entendendo por exemplo como as sílabas podem formar as palavras, ou quando uma letra faz um som tal em determinada situação e outro som quando a situação é diferente. Depois, você aprende algumas frases prontas, e começa a se virar: pergunta as horas, fala seu nome, o que você sabe fazer .... E só mais lá pra frente, você vai conseguir fazer redações inteiras, conversar e responder nessa outra língua, ou até mesmo morar e trabalhar em um lugar que fala esta língua. 

Eu diria que no idioma da costura, eu estou ali no meio do caminho: faço várias coisas, consigo me virar, mas às vezes a pronúncia ainda não sai perfeita, ou então até entendo o que estão falando nesta língua, mas não consigo formar as frases exatas para fazer a conversa fluir. Traduzindo: eu sei manusear a máquina, domino o corte e a costura de peças simples (saias, bolsinhas de pano, coisinhas artesanais), não tenho medo de zíper e de overlock (ok, tenho um pouco de medo dela ainda, Alineeeee ajuda eu) ... Ainda não domino a arte da modelagem, mesmo que eu entenda um pouco de como se constrói um molde ou outro. Estou um pouco longe de escrever uma redação complexa - por exemplo, costurar um vestido estruturado com forro ou uma calça de alfaiataria. 

E como foi que aprendi ?

Aos 14 anos, eu fiz a oitava série na escola do SESI, em Campinas. Antes eu estudei em outras escolas porque não era tão simples conseguir uma vaga no SESI, mas logo que conseguimos, minha mãe falou pra eu fazer curso de Corte e Costura, oferecido a preços populares. Lógico que - não ouvi minha mãe e estava mais preocupada em viver minha adolescência, fazer teatro e mostrar meu piercing no umbigo (risos), então tive que aprender depois de velha.

E a primeira aula de costura que eu fiz foi no SESI de São Carlos, durante a faculdade, de cara fiz uma bolsa dupla face toda entretelada, que usei durante vários anos! Fiquei muito empolgada com aquela possibilidade, mas como eu não tinha máquina de costura, fiz só mais algumas aulas (e saias de chita) e deixei pra lá. 

Se você fica um tempo sem costurar, acaba esquecendo algumas coisas. Às vezes eu pegava a máquina da minha mãe pra tentar fazer uma barra de calça e SÓ FALTAVA CHORAR, ridículo. Quando voltei a morar em Campinas e já estava trabalhando com figurino, achei que era hora de levar a costura a sério. Voltei pro SESI e fiz mais algumas aulas - de manejo de máquina, saia, camisa .... Nessa época, fiz um post no blog que foi super acessado e me rendeu até uma aluna de costura, veja só!

Quando fui para a Argentina estudar moda, um dos cursos que me inscrevi era uma oficina de costura. Aí a dificuldade se elevou ao cubo, porque agora imagine isso em ... espanhol, socorro chica!  Também tem post dessa época, quando fiquei maravilhada com as compras de tecido e aviamento no bairro Once, em Buenos Aires. Trouxe um estoque vitalício de botões pro Brasil!

No ano passado, vieram vários projetos de cursos e figurinos que envolviam costura lá no VID, e agora temos uma estrutura de costura que conta até com uma overlock! Mesmo após todas estas experiências e processo de aprendizado na costura, às vezes eu ainda me sinto insegura, acredita? Acho que também tem a ver com um respeito muito grande que sinto pelo ofício da costura - é algo que considero tão mágico, tão inatingível que não pode ser dominado por uma pessoa tão desastrada como eu. Por isso que toda vez que concluo um projeto de costura, sou inundada por uma felicidade sem tamanho. 

E é por isso que eu encorajo TODO MUNDO a enfrentar qualquer insegurança ou síndrome de "ai, nunca vou conseguir" e começar a costurar já! 

para aprender a costurar

1) Para quem precisa começar do comecinho

Se você está no nível iniciante total, é legal começar aprendendo a mexer na máquina de costura e algumas coisas básicas primeiro. Atendendo a muitos pedidos que as pessoas faziam sempre que visitavam nosso ateliê, estamos oferecendo aulas de costura para iniciantes, para desvendar a máquina e desenvolver projetos simples de costura. Clica aqui pra se informar!

2) Para quem quer treinar e fazer projetinhos fofos e fáceis

Meus tutorias favoritos da internet, que me ajudaram muito no começo, e ainda ajudam:

A Costureirinha - praticamente tudo que quero ou preciso fazer tem um vídeo dela, com a melhor didática possível! Eu queria fazer uma necessaire - ela tem vídeo. Eu queria uma saia envelope com cós embutido - ela tem vídeo. Eu precisava fazer um almofadão pra minha mãe porque a cachorrinha nova comeu a almofada - ela tem vídeo. 

Garota Prendada - além da Graziella Moretto ser uma das minhas atrizes brasileiras favoritas, ela sempre começava os vídeos dizendo que se ela conseguiu, você também consegue, e sempre me identifico com a frase, hehe! O vídeo dela explicando como colocar zíper é imperdível. 

3) Para se aprofundar ou se especializar no ofício

Sabe aquela pessoa que você só quer estar por perto e aprender o que puder com ela ? Essa é a Rosângela, criadora da Escola Rubbo de Manualidades. Acabamos de fazer um curso de acabamento lá, mas na verdade eu queria era fazer TUDO da escola, desde as oficinas de bordado até a formação para Modista. Com a Rô, você aprende a realmente desenvolver o pensamento, entender o idioma da costura, não só falar frases prontas. Acho que depois desse último curso eu finalmente me senti segura pra falar para as pessoas que sim, eu sei costurar.

Foto da máquina de costura dos avós do meu amigo Gustavo, em Poços de Caldas <3

Foto da máquina de costura dos avós do meu amigo Gustavo, em Poços de Caldas <3

 Depois me conta se você já costura ou se vai embarcar em alguma das minhas sugestões!

Que historia sua casa conta sobre você ?

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O que sua casa diz sobre você?

Quero dizer, qual proporção de coisas que você ama e que representam o que você é existe na sua casa ? Explico melhor. Por exemplo, qual a primeira coisa que alguém que nota quando entra em sua casa - pode ser a organização e limpeza impecáveis, ou ainda que você tem muitos porta retratos com momentos familiares, uma pilha enorme de dvds assistidos ou a assistir, uma máquina de costura cheia de cortes de pano ao redor, seus gatos passeando, a bagunça que o seu cachorro faz .... Esta coisa que as pessoas reparam, coincidem com a sua paixão ou algo que você ama ou gosta muito de fazer ?

Dei todos esses exemplos porque andei reparando na casa das pessoas que conheço - e também na profusão de tours domésticos que andou aparecendo no meu feed do youtube. Não apenas quanto a decoração, não estou falando só do "pinterest way of life", estou me referindo à quais coisas ficam mais à mão em sua casa, quais são visíveis para as visitas, quais coisas você bate o olho sempre que chega em casa ou levanta de manhã, e que te fazem sorrir.

Minha grande paixão é contar histórias. Trabalho com figurino, já fiz muito teatro, uma graduação em cinema, gosto de bordar e costurar, sou apaixonada por historia da moda e toda e qualquer relação entre moda e trajetória pessoal. Pra mim, tudo se resume a contar histórias, seja por meio de alguma linguagem artística (figurino, moda, teatro, cinema, fotografia, desenho) ou nas coisas do cotidiano, nos objetos afetivos que enfeitam nossa casa e também na maneira como nos vestimos todo dia.

É o que eu faço pra viver, como eu tento pagar minhas contas, é o que eu amo fazer e o que quero seguir fazendo até ficar velhinha (onde sempre me imaginei costurando roupinhas de bonecas). E me esforço para que isso fique claro na minha casa, não para que os outros achem bonito, mas para que eu tenha um dia-a-dia mais gostoso de viver. 

E você, como isso funciona por aí, no seu cantinho ?

Este post foi publicado originalmente no Creyssa Phyna, em abril de 2014. 

Diário em Tópicos ou Bullet Journal

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Depois do post anterior, fiquei com vontade de explorar mais o assunto bullet journal, e gravei um vídeo sobre o assunto!

Gosto de complementar o vídeo com post, primeiro porque tem gente que prefere ler ao invés de ver youtube, e segundo que sempre tem coisa que a gente esquece de falar (mesmo que faça um roteiro). 

O bullet journal, ou como eu chamo no vídeo, diário em tópicos, é um caderno que você usa para planejar e registrar sua vida: trabalho, rotinas, sensações e notas em geral. Porque é legal usar um caderno ao invés de folhas soltas? Para você ter um registro do que está acontecendo na sua vida, e inclusive pode fazer um índice no começo do seu caderno para encontrar mais fácil uma coisa ou outra. 

O que o tal do Bullet Journal tem de diferente de um caderno qualquer ? Regras, ou ainda, uma metodologia. No meu caso, eu li um monte de coisa e cheguei num formato final que funciona pra mim, onde aderi à alguns conceitos (e não outros):

1. Índice e numeração de páginas

Antes de começar, você pode deixar umas três páginas para usar de índice, mas aí você vai precisar numerar o diário como um todo, página por página. 

2. Visão do mês - ou log do mês

Antes de começar os dias e semanas do mês, você faz uma lista daquilo que pretende ou precisa fazer naquele mês. Eu chamo isso de visão do mês, mas também é chamado de log mensal. Pro log do ano como um todo, eu uso o planejamento anual que disponibilizei - aí todo começo de mês eu olho este arquivo e faço a visão mensal no caderno. 

3. Visão da semana - ou log

Mesma coisa do item anterior, mas com relação à semana. 

4. Distribuição da semana

A partir da visão, você vai distribuindo o que vai fazer de cada item em cada dia da semana. 

Semana do lado esquerdo, dia no lado direito

Semana do lado esquerdo, dia no lado direito

5. Diário

E por último, o dia, geralmente uso uma página inteira, outras vezes mais, outras menos. Divido em 4 seções: tarefas e eventos, onde anoto tudo que vai acontecer naquele dia ou que precisa ser feito; sensações, onde registro tudo que aconteceu comigo de diferente naquele dia, físico ou emocional; rotinas, onde anoto alguns rituais do meu dia e em que ordem eles fora feitos, se esqueci ou não consegui fazer alguma dessas rotinas; e por último notas e ideias, que é qualquer coisa nova que surge e não se encaixa nas outras seções.

Para anotar as coisas no quadrinho de tarefas, eu uso as regras do bullet journal e faço assim:

O quadradinho é para tarefas - quando ela é feita, recebe um check, quando é cancelada, um x, e quando adiada, uma setinha. Para eventos ou compromissos, uma bolinha. Quando é algo só pra lembrar, mas que não é nem uma tarefa nem evento, aí usamos um tracinho. E quando algo precisa ser destacado, asteriscos ou pontos de exclamação. Eu costumo fazer tudo de lápis pra ter flexibilidade - se algo é adiado, cancelado ou muda de dia, eu apago e transfiro. Ás vezes eu uso um post it quando é algo que ainda não é certeza, se mudar de data, eu só colo o post it na página do dia certo. 

Se você prefere ver o vídeo, é só dar play:

Rotinas e ideias de bem estar

rotinas ideias bem estar

No final do ano passado e começo desse ano, andei um pouco desmotivada, jogada, sem vontade de fazer nada. Eu sempre fico um pouco assim nas férias porque bem - sou um pouco workaholic, preciso de movimento, de coisa acontecendo, ao mesmo tempo que estava precisando descansar, exausta do ano passado. Sentimentos um pouco opostos, mas todo mundo é um pouco contraditório às vezes, não é mesmo ?

No entanto, eu queria muito reverter essa situação. Tudo bem a gente se sentir pra baixo e desmotivada de vez em quando, mas eu estava me sentindo assim todos os dias, e isso é muito diferente do que sou normalmente. Alerta de responsabilidade em relação à saúde mental: se você se sentir assim durante tempo demais, procure ajuda! 

Então achei que estabelecer algumas rotinas poderia me ajudar, principalmente se estas rotinas envolvessem coisas novas que eu não havia experimentado antes. E o que faço quando idealizo qualquer novo projeto - de vida ou de trabalho ? Você acertou se disse PINTEREST:

Depois de testar algumas coisas, acho que consigo resumir em uma lista algumas ideias que me ajudaram a ter mais energia e disposição para ficar animada e inspirada!

1) Diário em Tópicos (ou o famoso bullet journal)

Este é o item número um que me ajudou no começo desse ano. Na verdade, nem precisa seguir muitas regras, a ideia é apenas registrar o que você precisa fazer, o que você conseguiu fazer de verdade, como são suas rotinas, e como você está se sentindo. Se você procurar por "bullet journal" (e pretendo fazer um post ou vídeo à parte aprofundando o assunto) vai chegar em um monte de explicações e regras diferentes, mas não entre em pânico e comece pelo simples ato de registrar sua vida, sem grandes teorizações. Como pra mim categorizar coisas é uma diversão, eu gosto de algumas regrinhas, mas o que me trouxe uma melhora de saúde mental e física não foram as regras, mas sim o hábito de olhar pra minha rotina, pras minhas prioridades, para minha gestão de tempo, ou ainda: ter mais controle sobre o que estou fazendo da minha vida e dos meus dias. 

Recomendo: 

Esse post da Thais, do Vida Organizada, sobre Bullet Journal. A Thaís é sempre a melhor fonte sobre qualquer assunto que tenha a ver com organização! E este post traduzido do Buzz Feed gringo, sobre Bullet Journal e Saúde Mental também é uma das minhas fontes favoritas sobre o assunto. 

2) Óleos essenciais

Outro tema recorrente nesse momento. Sempre gostei do assunto, mas resolvi estudar mais à fundo, pra saber usar direitinho, comprar certo, e nessa pesquisa, encontrei a Patrícia e seu ótimo conteúdo Óleos são essenciais - em blog e também no youtube. Tenho usado no momento uma sinergia revigorante, que uso no ambiente, como a Patrícia ensina nos vídeos, no começo do dia; e à noite tenho usado um óleo de lavanda para desligar a cabeça, junto com a minha rotina noturna. E tudo isso começou só porque eu queria experimentar óleo de melaleuca / tea tree; que haviam me indicado para acne, mas que depois dos vídeos da Patrícia, eu descobri que ele serve para um monte de outras coisas!

Recomendo:

O vídeo sobre o óleo de melaleuca, que me fez descobrir o canal Óleos são Essenciais, e também o vídeo sobre o óleo de lavanda

3) Espreguiçar e acordar o corpo

Ou no meu caso - começar o dia com o que me lembro das posturas da aula de yoga. Assim que acordo, a primeira coisa que  faço no dia é tentar fazer todas as posturas que eu lembrar, mas se você nunca fez yoga, tudo bem! Vale fazer alongamentos ou aquela boa e velha espreguiçada, igual criança, sabe ? Muda minha postura e disposição, e é de graça ;)

Recomendo:

As aulas da Mahi Yoga, que eu fiz até o ano passado aqui em Campinas! 

4) Estudar!

Eu estava sentindo falta de estudar e ler coisas com um objetivo, não só estudar aleatoriamente qualquer coisa, como vinha acontecendo - eu começava um monte de cursos ou livros sem nenhum foco, e abandonava tudo rapidamente. Eu queria muito poder começar um curso novo - e longo, com aulas semanais, tarefa de casa, colegas de turma, o pacote completo, sabe ? Enquanto isso não acontece por questõe$ diversa$, eu vou me contentando com cursos curtos e acessíveis, ou então com cursos online gratuitos.

Recomendo:

Este post da Lominha maravilhosa, 7 cursos online para fazer em 2017, com cursos de vários assunto que eu quero me aprofundar. Não vale se inscrever em tudo ao mesmo tempo, mas que dá vontade, dá!

Estas quatro coisas me ajudaram bastante, mas mesmo assim, ainda me sinto desmotivada às vezes, e tudo bem. Estamos vivendo coisas bem complicadas no mundo atualmente, e existia uma ilusão que o problema era o ano de 2016, e bem ... 2017 começou já conturbado, e vimos que a questão não era aquele ano em si, mas a maneira como estamos encarando o mundo. Outro post que me motivou bastante foi esse da Thaís (de novo!) sobre como manter o ânimo em tempos difíceis (especialmente se você é empreendedor).

Então me conta o se você também tem se sentido assim e o que te anima ou inspira ;)

 

Roteiro: Inhotim

Eu outubro do ano passado, fiz algo que eu não faço nem no final do ano, que é: TIRAR FÉRIAS (uhuuuu - som de palmas). E junto a dois amigos queridos, nós fomos para Inhotim, o famoso "parque-museu-espaço muito louco de arte contemporânea" que fica na cidade de Brumadinho, a cerca de 1 hora de Belo Horizonte, em Minas Gerais. É um passeio muito legal para quem gosta de arte contemporânea, mas mesmo que você não tenha essa vibe, toda a viagem e o contexto valem muito a pena. Como nesta época do ano muitas pessoas estão de férias, achei um bom momento para compartilhar nossa viagem como uma sugestão de destino, porque foi MUITO LEGAL. Modéstia à parte, acho que nós fizemos uma ótima logística para aproveitar a viagem e o parque, por isso quero compartilhar por aqui, para ajudar outras pessoas como nós ;) 

Laura arrasando no nosso mapeamento ;)

Laura arrasando no nosso mapeamento ;)

 

1) Onde ficar ?

Logo que o parque abriu, Brumadinho ainda não era uma cidade com infra estrutura turística, e muita gente acabava se hospedando em Belo Horizonte, mas não é mais assim, hoje em dia a cidade recebe muito bem quem quiser ficar mais perto! Nós ficamos no Hostel 70, e mesmo que isso de cultura da hostel ainda seja novo na cidade, achei bem legal ficar em Brumadinho. Além de ficar bem perto do Inhotim, o legal de ficar na cidade é poder ir nas cachoeiras, no próprio hostel eles organizam saídas de carro com guias para quem quiser visitar, são duas ou três, se não me engano. 

2) Sugestão de Roteiro

Nós viajamos de carro, e é bom avisar que a estrada é para aventureiros, principalmente o atalho de entrada para Brumadinho, mas você pode pegar o caminho mais longo, que é vindo de Belo Horizonte. Para calcular o tempo e a rota de viagem, eu sempre uso o aplicativo do Sem Parar. Vale lembrar que tem transporte indo do Hostel até o Inhotim, caso você vá sem carro e fique no hostel ou na cidade. 

Minha única frustração foi não ter conhecido as cachoeiras, porque eu sou que nem criança quando se trata de entrar na água! Então bolei um roteiro ideal para a próxima vez ou para você, pessoa sortuda que vai ler este post antes de chegar lá! Como eu estava de férias, consegui ir durante a semana, o que deixa os ingressos mais baratos (R$25 terças e quintas), mas no final de semana e nos feriados eles são mais caros, sendo sexta, sábado, domingo e feriado: R$ 40,00. Então espia minha sugestão "ideal", que é para quem está de férias e pode ir durante a semana - e se você puder ainda aproveitar a viagem e esticar para Belo Horizonte ou Estrada Real, melhor ainda ;)

Segunda feira: De segunda o Inhotim não abre, então é um bom dia pra chegar em Brumadinho ainda pela manhã, almoçar na cidade, chegar no Hostel com calma e conseguir aproveitar as cachoeiras! 

Terça feira: ir para Inhotim e traçar um roteiro para ver primeiro as obras mais distantes, já que o parque é bem extenso, e vale super a pena pegar o carrinho, que custa R$25 por pessoa. Essa foi uma estratégia traçada pela querida Laura, minha amiga expert em passeios culturais mundo afora!

sendo phynos no carrinho

sendo phynos no carrinho

Na terça à noite, é legal jantar no restaurante Ponto Gê, mas calma que eu já falo mais dele!

Quarta feira: Voltar ao Inhotim, aproveitando o dia em que ele é aberto gratuitamente! E aí fazer um roteiro mais tranquilo, mais próximo, sem precisar pegar o carrinho. E aproveitar pra curtir as plantas, os cafés, comprar postais ou algum livro na lojinha. A quarta feira geralmente é um dia mais cheio, lotado de grupos e escolas, por ser gratuito, um pouco mais de muvuca, mas nada que tenha nos atrapalhado. 

3) Onde Comer

Durante o dia, quando você estiver no Inhotim, a opção mais acessível é o restaurante Oiticica, que é muito bom, mas nada muito especial: é um p.f. digno, com preço ok. O Café das Flores, que fica logo na entrada, também é bem gostosinho e tem coisas diferentes. O parque tem várias outras opções gastronômicas mais caras que pareciam ser beeeem legais, mas não foi dessa vez, hehe!

Na cidade, só pelo fato de você estar em Minas Gerais, não tem muito erro. Nós tomamos um açaí muito bom que ficava perto do Hostel e da Igrejinha do centro da cidade, muito bom.

Mas a dica imperdível de comida em Brumadinho é o Ponto Gê, restaurante maravilhoso, pequeno e muito bem coordenado pelos simpáticos donos, que serve uma mistura de comida mineira contemporânea descolada muito muito boa, incluindo opções veganas como o macarrão de pupunha e manga, que eu salivo só de lembrar! 

Sem palavras, só no nham!

Sem palavras, só no nham!

Para comer no Ponto Gê, é precisa fazer reserva pelo whatsapp: 031999536198! Acesse o instagram deles para mais informações:

4) No Parque!

E por último, o principal, hehe: o que não perder no parque! Bem, sendo eu uma pessoa de humanas/miçangas/artes em geral, quero mais é que você veja tudo, não tem essa de "tem que ver" tal coisa, o que eu achei imperdível pode ser uma bobeira pra você. De qualquer maneira, achei legal ter um norte do que é legal ver primeiro, e pra isso contei com a companhia da Laura e do Maurício, que estavam afiados na curadoria! Você pode conhecer o museu virtualmente pelo perfil do museu no Google Arts and Culture ou mesmo pelo site do Inhotim, que já te dá uma norteada. 

A estrutura do parque é muito interessante, uma vez que as obras de arte estão integradas à paisagem estonteante, e organizadas em galerias, que podem ser dedicadas exclusivamente à várias obras de um único artista, ou ainda galerias pensadas para o Inhotim; ou ainda galerias que reúnem mais de um artista e que podem não ser permanentes. 

O que eu fui querendo ver: Desvio para o Vermelho, do Cildo Meireles, por motivos óbvios de ser tudo vemelho, Narcissus Garden, o lindo jardim de bolinhas criado por Yayoi Kusama Nagano, Cosmococas do Oiticica, o famoso pavilhão muito louco e interativo, e claro, Da Lama Lâmina, Mattew Barney, que é realmente uma estrutura impressionante. 

O que me surpreendeu - Todo o parque vai muito além da nossa expectativa, mas uma das minhas galerias favoritas foi a Galeria Praça, com as obras maravilhosas do Luis Zerbini, e a instalação sonora Forty part motet, que é emocionante. A Galeria Psicoativa Tunga também impressiona, não só pelas obras, mas por estar no meio da mata, um pouco pesadona no entanto. O artista Olafur Eliasson, que tem algumas obras espalhadas pelo parque, também foi um destaque, pois qualquer coisa com água e espelhos me ganha na hora.

O que é clichê do parque, mas é lindo: Invenção da Cor, Penetrável Magic, os paredões coloridos do Oiticica, a obra/piscina/ aquarela, que se chama Piscina, meio um mito do parque, porque sim, você pode nadar na obra - não nadamos, mas a obra é linda; e Sonic Pavilion, o pavilhão onde você pode ouvir os sons da terra.

Fora tudo de legal que tem de obra e pavilhões, todo o projeto paisagístico do parque é de tirar o folêgo!

inhotim botanico

Todas as imagens deste post, salvo os instagrams, são de minha autoria ou da Laura Teixeira! E vale super a pena clicar nos links de cada obra para ir montando o seu roteiro!

Me conta se você ficou com vontade de visitar ou se já conhece o Inhotim!

 

 

Trabalho doméstico - ajuda ou divide ?

o vídeo é antigo, mas a conversa não 

Percebi que não tenho o hábito de postar aqui no blog os vídeos que posto lá no youtube, e pode ter gente que nem sabe que eu tenho canal, ou às vezes é legal postar aqui e aproveitar para contextualizar o vídeo. 

Este vídeo é antiguinho, eu e Mércia fizemos já faz mais de um ano, mas essa conversa não fica velha - precisamos debater a divisão de trabalho doméstico e gênero! Lembrei desse vídeo quando vi esses dias no twitter este artigo da revista AzMina (http://azmina.com.br/2016/04/mulheres-fazem-tres-vezes-mais-trabalho-domestico-do-que-os-homens/), em que elas citam uma pesquisa nomeada "Mulheres e Trabalho", com dados preocupantes sobre quanto tempo mulheres e homens dedicam ao trabalho doméstico. Segundo o artigo, mesmo quando são as mulheres quem pagam a maior parte das contas ou quando o homem está sem trabalhar fora, quem dedica mais horas ao trabalho do lar somos nós, mulheres. E isso começa lá na infância, quando os meninos não tem que lavar a louça. 

Sim, é 2017 e as mulheres e meninas ainda fazem a maior parte ou todo o trabalho doméstico em muitos lugares. Ou quando os homens fazem, as pessoas ainda falam que o cara "ajuda" a mulher. Felizmente, na minha casa não é assim, e nós sempre usamos a palavra dividir, em relação ao trabalho doméstico. E na sua ? Me conta aqui ou no youtube ;)